A Importância da Educação Financeira Em Instituições de Ensino (Parte 1)

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A Educação Financeira tem se confirmado uma das áreas do conhecimento mais importantes para a sociedade.

Em um mundo onde o dinheiro está presente em quase todas as nossas atividades, direta ou indiretamente, quem domina os princípios da Educação Financeira tem mais chances de ter uma vida mais saudável em todas as áreas e por muito tempo.

E um ambiente onde este conhecimento pode ser “disseminado” é nas Escolas de Educação Básica, Técnico e Superior.

Quanto mais cedo ensinamos o “cidadão” a importância de saber lidar, gerenciar, administrar, gastar, compartilhar, seus recursos financeiros, melhores condições teremos de ter uma sociedade mais próspera nas próximas décadas.

A seguir quero compartilhar meus conhecimentos e opiniões sobre este assunto e, quem sabe, motivá-lo a motivar a instituição com a qual você tem algum tipo de relacionamento a implantar um projeto de Educação Financeira (talvez você seja um aluno, um pai, um avô, um professor, uma diretor, coordenador, etc.)

Vou distribuir esta reflexão nas seguintes partes:

  1. Quem é este que vos fala – quais são minhas credenciais para falar deste assunto
  2. Apresentação ESCEF – Escola de Educação Financeira
  3. O contexto social e econômico do Brasil
  4. Para quem é a “Educação Financeira nas Instituições de Ensino”
  5. Resultados que serão obtidos após a implantação de um Programa de Educação Financeira em Instituição de Ensino
  6. Como fazer um bom projeto de Educação Financeira em instituições de ensino.
  7. Conhecendo o Programa ESCEF de Capacitação em Educação Financeira Para Instituições de Ensino 

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1. Conhecendo Julio Santos, especialista em Educação Financeira

Tenho me especializado em educação financeira desde 2008. Em mais de uma década tenho me dedicado a estudar, analisar, aplicar, ensinar e compartilhar os fundamentos, princípios, conceitos, ferramentas, informações e orientações sobre este assunto.

Sou diretor da Consultoria Financeira Julio Santos onde começamos a fazer consultoria financeira para pessoas físicas (individual, casais e famílias).

Criamos um método próprio, baseado na prática e adequado ao perfil sócio-econômico-cultural do brasileiro.

Escrevi vários livros relacionados ao tema, dentre eles “Educação Financeira Para Pais e Filhos”, “Princípios Bíblicos da Educação Financeira”, “Harmonia Financeira Para Casais”.

Também criei algumas metodologias de Educação Financeira – para famílias, casais, jovens, empresas.

Criei e coordenei um projeto pioneiro de criação da primeira coleção de Educação Financeira para Educação Básica. Com uma equipe multidisciplinar e muito estudo contribuímos para que algumas escolas já começassem a oferecer este conteúdo aos seus alunos.

Após criar esta coleção iniciamos a capacitação de dezenas de profissionais de escolas espalhados por todo o Brasil. Acompanhamos a execução do processo e avaliação dos resultados. Tudo isso nos deu bastante conhecimento sobre as melhores práticas sobre um projeto de Educação Financeira.

Coordenei e fui docente na primeira pós-graduação em Educação e Coaching Financeiro, lançada em 2010, onde, com professores especialistas em diversas áreas iniciamos a capacitação de pessoas que vinham de diversas áreas de atuação: professores, advogados, empresários, etc.

 Bom, depois de tudo isso você deve se perguntar. Então o Julio deve ter uma forma formação na área de finanças, talvez seja um economista (muita gente me faz esta pergunta).

Por incrível que possa parecer, não. Na verdade, eu não sonhava em me tornar um Educador Financeiro.

Sou formado em Linguística pela Universidade de São Paulo. Sou professor de língua portuguesa (área que eu gosto demais), atuei em escolas públicas e privadas e, também por alguns anos fui profissional de sistemas de ensino divulgando e implantando materiais didáticos em escolas, capacitando professores e orientando gestores.

Também já tinha atuado em outras organizações que não pertenciam ao segmento educacional – empresas de varejo, bancos, etc.

O interessante é que em todos os meus empregos sempre tive bons rendimentos, mas eu era um verdadeiro “analfabeto financeiro”. E eu senti por anos os impactos dessa “deficiência” em todas as áreas de minha vida: emocional, conjugal, familiar, profissional.

E eu sabia que esta incapacidade de lidar com o dinheiro era um fator de grande peso nos meus problemas. Eu era uma pessoa com bom currículo acadêmico, bons empregos mas me sentia muito frustrado financeiramente,

Eu decidi buscar, aprendi, me beneficiei muito rápido deste aprendizado e é por isso que falo aos quatro cantos sobre a importância da Educação Financeira.

A Educação Financeira teve impactos tão positivos e transformadores em minha vida que, com meu perfil de educador, comecei a estudar, desenvolver palestras, atender pessoas. Sempre tendo um olhar crítico pois seu que há muito “charlatanismo” nesta área também.

E aqui estou, envolvido em diversos projetos de Educação Financeira, hoje consigo me dedicar totalmente a essa área, já falei a milhares de pessoas, recebei depoimentos surpreendentes de pessoas que puderam melhorar suas vidas a partir do que ensino e busco cada vez mais oferecer o que há de mais sério, consistente e eficiente em relação a Educação Financeira.

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2. Apresentação ESCEF – Escola de Educação Financeira

Durante alguns anos atuei exclusivamente em minha consultoria – www.juliosantos.com.br – onde oferecemos serviços que auxíliam pessoas e famílias a sair das dívidas, organizar e planejar a vida financeira e começar a investir.

Como muitos dos meus clientes eram empresários, fui criando também uma metodologia de Gestão Financeira Empresarial.

E muitas pessoas queriam aprender a compartilhar a educação financeira. Muitos me ligam dizendo que se preocupam com pessoas que estão ao seu redor sofrendo por problemas financeiros.

Foi então que surgiu a ESCEF – Educação Financeira – www.escef.com.br . É uma Escola de Educação Financeira onde oferecemos cursos de educação financeira pessoal e empresarial para a comunidade e também capacitações profissionais – as formações de consultor financeiro, coach financeiro, planejador financeiro e educador financeiro.

Na ESCEF também criamos os “Programas de Educação Financeira para Empresas” onde levamos o conhecimento da Educação Financeira para os funcionários das organizações, visando melhor sua motivação, produtividade, criatividade e a lucratividade da empresa.

E é também na ESCEF que temos o Programa de Educação Financeira para Instituições de Ensino.

3. Contexto da Vida Financeira do Brasileiro

Vamos falar do contexto da Educação Financeira no Brasil.

Será que Educação Financeira é um modismo?

É oportunismo de minha parte sugerir esta disciplina diante de tantas outras que as últimas reformas educacionais têm sugerido?

Quero falar de 5 aspectos contextuais que favorecem a implantação da Educação Financeira nas instituições de ensino.

– Analfabetismo financeiro.

O primeiro fato a considerar é que a sociedade brasileira tem pouca educação financeira. Me lembro de um comentário da Renata Lo Prete, âncora do Jornal da Globo, dizendo que profissionais do Banco Central do Brasil disseram em um evento que, abre aspas, “a educação financeira do brasileiro é pior que a educação formal”.

E nós sabemos o que significa ter uma educação formal ruim. Sabemos o que é estar nas últimas colocações nas pesquisas internacionais sobre domínio de língua portuguesa, matemática e ciências.

Mas tem razão os funcionários do Banco Central quando declararam uma verdade que vejo no dia a dia. Pessoas até com uma boa educação formal, com faculdade, pós-graduação, cometem erros que comprometem sua vida financeira pessoal, familiar e empresarial.

– Famílias endividadas

O resultado do analfabetismo financeiro é um alto número de famílias endividadas. Dentro das famílias temos pais e filhos endividados.

Em pesquisa do início de 2020 o dado era que mais de 61 milhões de brasileiros estavam negativados nos órgãos de proteção ao crédito.

Veja só, 65 milhões “negativados”. Agora some aí os endividados que não estão negativados e aqueles que não estão endividados mas não tem um centavo guardado, portanto. Isso é um retrato de uma nação sem educação financeira.

Isso afeta a qualidade de vida, os relacionamentos, a produtividade, a criatividade, o resultado das instituições e corporações.

– Relacionamentos desgastados

A falta de habilidade para lidar com dinheiro e dívidas causa stress, ansiedade, nervosismo, insônia, desmotivação.

Esses sentimentos acabam respingando nos relacionamentos, em especial os conjugais.

Especialistas que atendem casais – não só consultores financeiros – por exemplo, advogados, psicólogos, líderes religiosos – confirmam que problemas financeiros comprometem muito a saúde dos relacionamentos levando muitos á dissolução.

E aqueles que não são desfeitos permanecem em um nível de desgaste e insatisfação profundo.

– Envelhecimento da população

A coisa tá ficando feia. Falamos de pessoas sem educação financeira e endividadas, com relacionamentos em crise. E para ajudar a população envelhece, sem preparo para viver a terceira idade com tranquilidade. Lá vão elas depender de filhos ou do governo.

Em algumas situações acontece também o contrário. Pessoas que envelheceram, até conseguiram uma boa aposentadoria, mas precisam “bancar” filhos e seus respectivos cônjuges porque estes também não têm educação financeira.

As consequências do envelhecimento da população aliada ao analfabetismo financeiro podem causar efeitos sociais negativos para toda a sociedade nos próximos anos.

– Índices de fechamento de empresas

Uma coisa leva a outra. Um outro problema que afeta toda a sociedade é o alto índice de empresas que não conseguem sobreviver após os 5 primeiros anos de vida.

E devemos incluir aqui também as empresas que até sobrevivem, mas de forma quase que “vegetativa”, faturando o suficiente para pagar as contas e não crescer.

Muitos fatores contribuem para esse problema, como carga tributária, altos níveis de competição, mão de obra cara, etc.

Mas há um fator que não é contemplado: empresários que tem educação financeira tendem a ter menos problemas em suas empresas porque eles têm uma capacidade de gestão financeira melhor e cometem menos erros financeiros.

– Altos índices de corrupção.

Você pode pensar que não. Se assim o faz, está enganado. A falta de educação financeira contribui para os níveis de corrupção em nosso país.

E nós como educadores sabemos que a “educação” em si pode levar a menores índices de corrupção.

Quer dizer que estou falando que, se a sociedade brasileira tiver educação financeira não teremos mais corrupção? Não!

Pessoas corruptas e desonestas sempre existirão, inclusive nas nações mais desenvolvidas. Boa parte da corrupção está no caráter do indivíduo.

Mas você certamente já ouviu o dito popular: “a ocasião faz o ladrão”. Há pessoas que tem bons valores, mas acabam mordendo a isca em algumas oportunidades que lhes são apresentadas, incorrendo em atos ilícitos.

Devemos entender também que corrupção é algo mais amplo do que aquelas matérias jornalísticas que envolvem políticos, pessoas influentes e grandes empresários. Muitas vezes a corrupção está embaixo do nosso nariz, em ações quase que imperceptíveis.

– Bancos campeões de reclamações nos órgãos de proteção ao consumidor.

Apenas para concluir esta fala sobre o contexto, vemos ano a ano os bancos no topo das reclamações nos “procons” da vida.

Muito se deve à falta de educação financeira do brasileiro que acaba buscando os seus direitos quando percebe, muitas vezes tardiamente, que comprou gato por lebre, foi induzido ao erro ou até foi comprado por um produto serviço que não pediu.

Os bancos têm um papel importante para a sociedade. Mas uma mudança dessa estatística está diretamente ligada ao nível de educação financeira das pessoas.

Quem tem educação financeira consegue se proteger melhor das estratégias das instituições financeiras, mas o analfabeto financeiro é facilmente enredado por informações incompletas e, às vezes, distorcidas, que levam a prejuízos por meses, anos, décadas.

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