A Maneira Correta de Dar Mesada Aos Filhos

A Maneira Correta de Dar Mesada Aos Filhos

Tempo de leitura: 10 minutos

Olá, eu sou Julio Santos, especialista em Educação Financeira, tenho um projeto chamado “Educação Financeira Para Pais e Filhos”, e eu quero abordar o assunto MESADA com você hoje.

Eu percebo que alguns pais acreditam que, simplesmente, dar uma quantia em dinheiro para o seu filho, durante um determinado período, é suficiente para assegurar o “futuro financeiro deles”.

Não é bem assim.

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Até para dar mesada é preciso estratégia.

A mesada é mais um dos instrumentos da Educação Financeira, mas sem técnica, a ação pode ser simplesmente inócua, infrutífera.

Mais adiante eu vou te falar sobre como dar mesada da maneira certa para o seu filho. Mas antes disso, vou falar algo mais importante:

 

Com mesada, ou sem mesada, o que mais vai causar impacto no comportamento financeiro do seu filho, é o seu exemplo.

 

Então eu te pergunto:

 

Você é um bom exemplo de “Educação Financeira” para o seu filho?

 

O seu filho enxerga você como uma pessoa que respeita o dinheiro ou despreza o dinheiro?

O seu filho ouve você falar que “dinheiro não traz felicidade” ou ele ouve você dizer que dinheiro tem que ser usado com sabedoria?

O seu filho vê em você uma pessoa extremamente consumista, do tipo que tem 50 calçados, 50 calças jeans, 60 gravatas, 80 camisetas, etc. ou ele nota que você é cuidadoso com cada recurso com possui?

Você percebe que o nosso jeito de agir e de ser, vai causar uma influência tremenda no comportamento financeiro do seu filho?

Em outras palavras, nós ensinamos educação financeira não pelo discurso, mas pela atitude. E pode ter certeza, seus filhos percebem muito mais do que você imagina.

Então já ficou claro em relação a mesada. Ela pode ser mais uma forma de você “transmitir” fundamentos da Educação Financeira, mas não é essencial.

Você pode passar esses fundamentos para os seus filhos de outras formas, praticamente em todas as suas atitudes do seu dia a dia.

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Alguns Detalhes Que Você Precisa Observar Quando Decide Dar Mesada Aos Filhos

Simplesmente dar um recurso financeiro para o seu filho, argumentando que é para ele não ficar pedindo dinheiro para você toda hora, é uma ação muito frágil.

Dar o dinheiro e ficar dizendo frases como essa baixo também não é saudável:

 

– Olha lá hein, veja como vai gastar esse dinheiro!

 

A primeira atitude que você deve ter quando decide dar uma mesada aos filhos é, sentar com eles e explicar o porquê da mesada e quais os conceitos que você quer que ele aprenda.

Deixa eu te explicar:

Você vai falar com ele assim:

– Meu filho, você no dia a dia tem que comprar algumas coisas. Então eu quero aproveitar para te ensinar algo muito importante. O dinheiro é um instrumento que tem que ser usado com sabedoria. Quem sabe usar os seus recursos financeiros tem maiores chances de ser bem sucedido financeiramente.

Então eu vou fazer o seguinte: eu vou te dar uma quantia mensal para você fazer os seus gastos de rotina. Comprar um lanche, comprar uma coisa de uso diário, sair com os amigos, etc.

Mas entenda que esse dinheiro tem que ser administrado. Você não pode gastar de qualquer jeito. Você tem que fazer um planejamento. Porque nem tudo o que queremos podemos ter.

 

E você continua:

 

– Dinheiro é um recurso limitado. E será muito bom que tire uma parte desse recurso e guarde. O que eu quero dizer com isso? Quero que você aprenda a poupar. Porque o dinheiro é sim para gastar. Mas nós precisamos aprender a guardar. Ter dinheiro guardado nos dá segurança. O dinheiro guardado pode ser usado para um momento de emergência por exemplo.

E não é só isso. Dinheiro guardado serve para você comprar coisas que você quer, mas que precisam de um tempo para que você tenha todo o valor. Ou seja, você guarda dinheiro para conquistar o que deseja.

Se você aprender a equilibrar gastos com reservas, isso será muito bom, e quando você começar a trabalhar, poderá fazer isso com o seu salário. E se for disciplinado, talvez você conquiste sua independência financeira em poucos anos, 30, 40 50 anos.

Uma Verdadeira Aula de Educação Financeira

Se você der essa aula de Educação Financeira para o seu filho e ele percebendo que você também guarda dinheiro, faz poupança, certamente vai reforçar nele o valor de cada um desses conceitos.

À medida que ele vai crescendo você pode levá-lo a uma instituição financeira e abrir uma conta de investimento para ele. Você explica que o banco é mais seguro e além disso ele recebe uma remuneração pois na verdade você não está só guardando o seu dinheiro, está emprestando dinheiro para o banco e ele vai te pagar por isso.

Nesse momento há mais um conceito que entra naturalmente na cabeça dele: a diferenças entre investimentos e dívidas.

Uma outra questão importante é ficar atento para ver se ele não se torna uma aprendiz de muquirana.

O que é isso?

Ele leva tão a sério a ideia de poupar que ele poupa toda a mesada e depois vai pedir mais dinheiro para você.

Aqui entra mais uma vez a função do pai/mãe educador. É hora de sentar com ele novamente e dizer que a ideia não é essa. Que ele pode gastar sim o dinheiro  e deve poupar apenas uma fração, uma parte de cada quantia que ganha.

Você vai falar para ele que que o acúmulo de dinheiro está relacionado com o tempo e o exercício da disciplina, etc.

Agora existem alguns erros muito graves que pode colocar tudo por água abaixo. Eu lembrei aqui de alguns fatos que vão ilustrar isso.

Histórias Que Ilustram Erros Cometidos Pelos Pais Quando O Assunto É Educação Financeira

A primeira história ouvi de um diretor de escola.

Eu tinha implantado o Projeto de Educação Financeira na instituição de ensino dele.

Ele me contou que um dos alunos, um menino tinha 8 anos, estava muito triste porque o pai dele pegou o dinheiro do cofrinho emprestado e não devolveu.

Esse é um erro muitíssimo grave.

O ideal é que você nem peça dinheiro emprestado para o seu filho. Se você diz para ele que é importante poupar, mas você não tem dinheiro poupado, isso gera uma contradição.

E, se eventualmente precisar pedir o dinheiro a ele, às vezes isso acontece, você está sem dinheiro no momento e não conseguirá ir ao banco.

Então você pede o dinheiro para o seu filho mas devolve na primeira oportunidade.

E ainda pode conversar com ele mais uma vez sobre a importância de ter dinheiro poupado, assim pode ajudar as pessoas, socorrer alguém que esta precisando, etc.

Um outro fato que aconteceu é de um menino que estava todo empolgado juntando dinheiro porque ele tinha um sonho, um objetivo que queria realizar.

E este menino chegou todo contente e contou para a mãe que já tinha uma quantia guardada e ia comprar uma bicicleta

E a mãe jogou uma verdadeira ducha de água fria nele dizendo que aquilo era ilusão, que ele não ia conseguir.

Eu te pergunto, se a mãe dele dizia isso, como ele poderia se motivar?

A terceira história é sobre o valor da mesada.

As pessoas me perguntam “qual o valor ideal”?

Não existe uma tabela de valores.

Precisa haver o bom senso.

Como se trata de uma criança ou adolescente, tem que ser uma quantia que dê para ele fazer algumas coisas, mas não pode ser algo excessivo.

Nunca me esqueço do caso em que uma menina de uns 11 anos disse na escola que sua mesada era de R$ 1.500,00.

Isso gera um monte de distorções na mente da criança

A primeira é a noção de valor. Em um país em que milhões de pais e mães sustentam um lar com esse valor, uma criança que recebe essa quantia como mesada, quanto quererá ganhar de salário quanto entrar no mercado de trabalho?

Mesmo que eu possa dar, eu preciso saber que aqui está um conceito, o de “administração financeira” e “valorização do dinheiro”.

Aqui já vem outra história do pai que dava tudo ao filho e este, já com 32 anos e casado, detonou o carro em uma batida.

O “menino” foi para a delegacia, teve uma série de problemas, mas o “paizão” não só tirou ele da delegacia e ainda  comprou imediatamente um novo carro para o filhote.

Quem faz isso está educando ou está estragando um filho?

Essa história já me leva a outra, do pai que viu a filha se envolver com um rapaz que não era muito chegado no trabalho e começou praticamente a sustentá-los, piorando cada vez mais a situação do casamento.

A intenção era boa, isso poderia acontecer por um certo período, mas ser algo contínuo não colabora para a maturidade de ninguém.

Há pais que na vontade de acertar vão para outra linha.

É o que chamo de mesada condicional. Ou seja, eu só te dou mesada se você se comportar na escola, se tirar notas boas, se arrumar sua cama, etc.

Uma grande confusão. Temos de um lado a formação de caráter e de responsabilidade aos filhos.

Há tarefas que todos tem que fazer no ambiente familiar pois devemos tê-lo como um ambiente de colaboração, de compartilhamento e de ajuda mútua.

Esse é um princípio da formação da família.

Mas se eu começo a remunerar meu filho para fazer algumas tarefas, no futuro há a possibilidade de tudo o que ele fizer exigir uma remuneração.

Isso se instala na mente da criança de maneira muito sutil.

Vamos a mais um erro. Agora é entre os casais.

Eu chamo esse problema de “divergência financeira”.

O que é isso?

É quando cada um dos cônjuges tem uma opinião formada sobre dinheiro. E o filho fica no fogo cruzado dessas ideias.

Enquanto um fala que dinheiro tem que ser respeitado o outro diz que dinheiro tem que ser gasto.

Enquanto um diz que é preciso poupar, o outro o rotula de muquirana.

Veja quanta coisa falamos até agora.

Mas enfim, os fundamentos da Educação Financeira podem ser passados de várias formas para os filhos.

E o principal papel dela não é impor ideias, mas sim ensinar práticas e conceitos de gestão e administração financeira.

Mas adiante o seu filho poderá aplicá-los ou não.

Mas você estará tranquilo pois terá passado para ele uma série de conceitos que levam qualquer pessoa a paz, a liberdade, a independência financeira.

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